Menos demanda e mais eficiência na gestão: Como funciona uma legaltech?

Jovens, inovadoras e que têm tecnologias disruptivas em sua base. É assim que podemos conceituar as legaltechs. São startups focadas em desenvolver soluções tecnológicas que promovam a transformação na rotina jurídica, trazendo um novo olhar para o setor.

Essas empresas nasceram com o propósito de identificar desafios, deficiências e problemas no universo jurídico, para então desenvolver produtos e serviços sob medida para solucioná-los.

“Focadas em inovações, essas empresas transformam o atendimento, pesquisas, organização e outros serviços, aumentando a produtividade de negócios que atuam na área jurídica”, como a Fundação Instituto de Administração (FIA) descreve em seu blog.

Ainda segundo o texto da FIA, “tudo isso é possível através de tecnologias, que vão desde as mais simples até as complexas, utilizando conceitos modernos como inteligência artificial, algoritmos e machine learning para facilitar a vida de profissionais e clientes”.

Então, uma legaltech une uma dor percebida com uma ferramenta tecnológica para saná-la. Assim, nos últimos anos foram criadas soluções que colocam os advogados aptos a atuarem nesta era, que está sendo chamada de 4ª Revolução Industrial.

Essas jovens empresas continuam – e continuarão – trazendo inovações para o mercado jurídico, já que a tecnologia avança a passos largos. Em suma, essas soluções visam tornar a gestão mais eficiente, otimizar os processos e facilitar a rotina dos profissionais da área.

13 categorias de Legaltech

As frentes em que são possíveis melhorias na seara jurídica são tantas que a AB2L (Associação Brasileira de Lawtechs e Legaltechs) divide essas startups, atualmente, em 13 categorias. São elas:

  1. Analytics e Jurimetria– Plataformas de análise e compilação de dados e jurimetria.
  2. Automação e Gestão de Documentos– Softwares de automação de documentos jurídicos e gestão do ciclo de vida de contratos e processos.
  3. Compliance– Empresas que oferecem o conjunto de disciplinas para fazer cumprir as normas legais e políticas estabelecidas para as atividades da instituição.
  4. Conteúdo Jurídico, Educação e Consultoria– Portais de informação, legislação, notícias e demais empresas de consultoria com serviços desde segurança de informação a assessoria tributária.
  5. Extração e Monitoramento de Dados Públicos– Monitoramento e gestão de informações públicas, como publicações, andamentos processuais, legislação e documentos cartorários.
  6. Gestão – Escritórios e Departamentos Jurídicos– Soluções de gestão de informações para escritórios e departamentos jurídicos.
  7. IA – Setor Público– Soluções de Inteligência Artificial para tribunais e poder público.
  8. Redes de Profissionais– Redes de conexão entre profissionais do Direito, que permitem a pessoas e empresas encontrarem advogados em todo o Brasil.
  9. Regtech– Soluções tecnológicas para resolver problemas gerados pelas exigências de regulamentação.
  10. Resolução de Conflitos Online– Empresas dedicadas à resolução online de conflitos por formas alternativas ao processo judicial, como mediação, arbitragem e negociação de acordos.
  11. Taxtech– Plataformas que oferecem tecnologias e soluções para todos os desafios tributários.
  12. Civic Tech – Tecnologia para melhorar o relacionamento entre pessoas e instituições, dando mais voz para participar das decisões ou melhorar a prestação de serviços.
  13. Real Estate Tech – Aplicação da tecnologia da informação através de plataformas voltadas ao mercado imobiliário e cartorário.

Uma legaltech tem uma ampla gama de ferramentas tecnológicas em seus produtos e serviços. Isso vai de softwares para gestão de informações, banco de dados até avançados sistemas de análises desses dados, indicação de tendências e cálculo de probabilidade de ganho e perda de causas.

Funcionamento na prática

Para exemplificar, vejamos a categoria de Analytics e Jurimetria, na qual a EHTS atua. Ela é indicada para ter respostas muito presentes no departamento jurídico. Quanto vai custar? Vou ganhar ou perder? Devo fazer acordo? E por aí vai…

Para encontrar as respostas, uma robusta plataforma faz a coleta e análise de dados históricos. Esses dados são transformados em informações. Utilizando ferramentas de BI (Business Intelligence), modelos estatísticos e econométricos (método estatístico de análise de dados e as variáveis econômicas através), as informações são transformadas em inteligência e em gestão.

Isso permite ao departamento jurídico e à organização implementar uma cultura data driven, ou seja, uma cultura orientada a dados, os quais servem como base para tomadas de decisão.

Muitas possibilidades

É óbvio que ter toda a documentação digitalizada, utilizando softwares que a organizem de modo a facilitar todo tipo de consulta e que esteja armazena na nuvem (cloud computing) para ser acessada a qualquer hora e de qualquer lugar, já agiliza muito o trabalho cotidiano de qualquer profissional da área jurídica.

Entretanto, isso é pouco perto das possibilidades de ganho que uma legaltech oferece para o setor. Muitas delas nem é luxo, e sim uma necessidade.

Primeiro por conta do número de processos em tramitação no Poder Judiciário: eram 77, 1 milhões no final de 2019, de acordo com o relatório Justiça em Números 2020, do Conselho Nacional de Justiça brasileiro.

Segundo pelo universo de leis que regem o Brasil. Segundo levantamento do ministro Ives Gandra Martins Filho, do Tribunal Superior do Trabalho, o ordenamento jurídico em vigor é composto por 34 mil regras legais, sendo 10.204 leis ordinárias e 11.680 decretos-leis, além de leis complementares, medidas provisórias, leis delegadas e decretos do governo provisório e do Poder Legislativo.

Qual ser humano consegue processar esse oceano legislativo? E quanto tempo consegue ter acesso a toda uma jurisprudência para extrair informações relevantes para montar uma determinada defesa? Ou ainda fazer a previsão do final de uma causa? Não há dúvidas de que usufruir da inteligência da máquina é o caminho mais sábio.

Fontes:
https://educacao.uol.com.br/disciplinas/cidadania/legislacao-mais-de-34-mil-leis-ordenam-a-vida-dos-brasileiros.htm?cmpid=copiaecola

https://fintech.com.br/blog/fintech/o-que-e-legaltech/

https://www.direitoprofissional.com/legaltech-e-lawtech/

https://ab2l.org.br/