Despindo-se de Togas, Becas e Gravatas com Tecnologia

O Mundo Jurídico, visto como tradicionalista e pouco voltado para adoção de atividades ou modelos de negócios diferentes de suas práticas quotidianas, caminha em um lento e difícil processo de adoção de inovações tecnológicas.

A incorporação de novas tecnologias aos serviços prestados às atividades jurídicas está atrasado em relação a outros como os setores de Auditoria/Consultoria, Seguros, Financeiro, Gestão de Risco – e até mesmo do jornalismo.

Max Radin, ao analisar como os juízes pensam, sintetizou muito daquilo que a maioria dos advogados sentem quanto à incorporação de tecnologias e o impacto que elas podem causar naquilo que entendem da subjetividade inerente a este Mundo ao afirmar que “nosso negócio é profecia, e se a profecia fosse exata, não haveria muito credito em profetizar”[1].

Exemplo disso é a repercussão retratada em notícia recente do site ConJur[2], na qual há críticas incisivas ao IV Relatório Supremo em Números da Escola de Direito do RJ da FGV. Nesta notícia há diversas críticas ao suposto determinismos e fatalismo das conclusões, ou, nas próprias palavras:

O problema apontado no mundo jurídico não é o resultado em si, mas o fato de a pesquisa tratar um processo criminal como se fosse uma questão quantitativa, cujo resultado pudesse seguir uma curva estatística.

Contudo, se é consenso que o Direito está longe de ser exato, a aplicação da tecnologia neste campo pode apresentar importante papel na modernização da forma como os serviços são prestados, os temas geridos e a justiça administrada.

Parece fatal que expressões como Era da Cognição, Análise Preditiva, Big Data, irão se incorporar nos corredores dos escritórios de advocacia, bancos das faculdades e dos mais diversos tribunais, afinal, como descreveu há quase 120 anos Oliver Holmes:

Para o estudo racional do Direito, o homem das técnicas precisas tradicionais pode ser o homem do presente, mas o homem do futuro é o homem da estatística e o mestre da economia.”[3]

[1] RADIN, Max. The Theory of Judicial Decision: Or How Judges Think. In A.B.A. Journal. Vol. 11, pp. 357, 1925, pp. 362.

[2] VASCONSELLOS, Marcos de. Estudo gera polêmica ao usar estatística para prever resultado de processo. Consultor Jurídico, 03/02/2016, In.: http://www.conjur.com.br/2016-fev-03/estudo-gera-polemica-usar-estatistica-prever-fim-acao

[3] HOLMES, Oliver Wendell. The Path of the Law. In: Harvard Law Review. 10, pp. 457 – 469, 1897.